• Edson Pires

Você sabe o que é Educação Financeira

Atualizado: 3 de Dez de 2020

A educação financeira deve ser entendida como um conjunto amplo de orientações e esclarecimentos sobre posturas e atitudes adequadas no uso e planejamento dos recursos financeiros pessoais e familiares.



É a aptidão, preparo para lidar com conceitos e questões financeiras (receitas, despesas, juros, negócios, investimentos etc.). É a capacidade de saber utilizar o dinheiro como ferramenta para tornar a vida melhor, mais criativa, mais produtiva e mais equilibrada.


Há muito tempo pessoas simples ficaram alheias a esse assunto por achar que as discussões sobre finanças estariam reservadas somente aos que já possuem muito dinheiro, portanto seria perda de tempo discutir sobre o dinheiro enquanto ganha um salário mais modesto.


ENDIVIDAMENTO DOS BRASILEIROS


A educação financeira é um desafio atual de grande relevância para a população de um modo geral. Após ter passado por um período de aparente prosperidade, a população sentiu mais segurança para adquirir bens, contraindo dívidas mediante o crédito em alta.


Mesmo tendo sido atenuado esse excesso de confiança mediante ao choque de realidade da economia, os brasileiros ainda continuam sendo atraidos pelas facilidades do crédito e acabam cedendo.


Podemos perceber através dos números divulgados pela CNC (Confederação Nacional do Comercio), 63% das famílias brasileiras, em janeiro de 2020, estão endividadas em diversas modalidaes de crédito (cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnê de loja, prestação de carro e de casa).


Estíma-se que perto de 61 milhões de brasileiros começaram este ano com alguma dívida em atraso e com restrição no CPF, impóssibilitado de realizar compras parceladas ou contratar crédito.


As dívidas com cartão de crédito são as mais comuns, atingindo 79,8% das famílias. Os carnês de lojas ficam em 2º lugar, com 15,9%, seguidos pelo financiamento de carro (10,9%) e de casa (9,3%).


Esses dados nos dão uma ideia do quão desorientados estão as pessoas que formam a população economicamente ativa em nosso país. Foram longos anos, geração após geração tropeçando nesse aspecto tão essencial a vida, o controle das finanças.


Conhecendo o problema


Existem muitas formas de encarar e enfrentar um problema. Contudo, não se pode combater uma doença senão compreendermos sua origem ou suas causas.


Em toda história humana lemos sobre pessoas endividadas ou com problemas em honrar compromissos financeiros, por não saber controlar seus impulsos de comprar além de suas possibilidades, acabando em situações constrangedoras.


Porém, com o advento da revolução industrial, devido a mecanização dos processos produtivos, os produtos passaram a ser fabricados em quantidades cada vez maior a um custo bem menor, aliado ao capitalismo, sistema que privilegia o capital, onde a competição em apresentar a melhor oferta de produtos, serviços ou experiências, através de todos os meios disponíveis para encantar o cliente.


Otimismo prejudicial

Mais recentemente, nos últimos 20 anos, o Brasil foi tomado por uma onda de otimismo econômico, devido a artifícios não sustentáveis criados pelos governos e suas equipes econômicas para causar a impressão de prosperidade e crescimento da economia do país.


Por conta dessa onda de otimismo na economia nacional, as pessoas se sentiam estimuladas e a vontade em adquirir bens e contrair dívidas confiante que poderiam honrar seus compromissos.


Esse comportamento tornou-se comum entre a população, criando uma cultura mais consumista e o quadro de endividamento se ampliou enormemente, levando a um verdadeiro colapso no mercado de crédito fazendo com que muitas famílias assumissem compromissos por impulso, não enxergando ou ignorando as implicações dessa decisão irrefletida.


Mas de quem é a culpa? Quem é vítima e quem é vilão? Na verdade acredito que os dois lados estão se adaptando a realidade de que há perdas de ambos os lados se não houver consciência e equilíbrio na prática da venda e da compra.


Se de um lado o cliente, atraído pelas irresistíveis promoções e facilidade de crédito para compras e empréstimos, ultrapassam sua capacidade financeira de pagar as diversas prestações, acarretando frustrações, angústias e situações constrangedoras.


E as empresas?

De outro lado, há incontáveis empresas, que no afan de realizar muitas vendas e crescer no mercado, acabam tentando imitar as grandes redes, abrindo o crédito de forma indiscriminada, cedendo a uma tendência que pode ser muito vantajoso para empresas que já possuem algum lastro, porém para quem está iniciando pode ser muito prejudicial.


Em especial, do lado do consumidor, há a necessidade de maior consciência sobre planejamento, utilização dos recursos financeiros de forma a não sobrecarregar e forçar os ganhos a realizações fora da realidade.


Atualmente há um esforço nacional, tanto por parte do governo quanto dos grupos empresariais em tornar a população mais esclarecida em relação ao uso do seu dinheiro. Essas iniciativas são respostas a situação alarmante e indigesta em que a população está endividada, negativada junto as instituições credoras e sem condições para pagar suas dívidas.


Há ainda um agravante, as pessoas mesmo em situação de endividamento ainda procuram formas de contrair ainda mais dívidas, se houver oportunidade. Isso mostra o nível de consciência em relação ao crédito e as reais condições econômicas da população.


O que se pode fazer?

O que falta, realmente, é Educação Financeira.


O sábio rei Salomão tem muitas orientações sobre diversos aspectos da vida e sendo tão rico como era, tem autoridade para dar algumas dicas. Uma delas é: procurar a sabedoria. Provérbios 2:4.


Compreendemos que ser sábio não é somente se encher de informações e sim saber o que fazer com elas, mas se não tivermos instrução e conhecimento, como poderá a sabedoria se manifestar?


O que tem sido feito


Dentre as iniciativas para instruir a população em relação ao bom uso do dinheiro e noções básicas de educação financeira, foi instituído o ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira). Empresas e governo se unem para criar uma plataforma com conteúdos e materiais voltados ao tema para aplicação no ensino fundamental e médio.


É claramente uma forma de tentar alcançar a população em fase escolar, quando suas mentes estão mais suscetíveis ao aprendizado. É um período em que os conceitos estão sendo formados e a possibilidade de que estes façam parte do comportamento do estudante em sua fase adulta, é a grande aposta dessa e outras iniciativas.


E qual o melhor momento para aprender lidar com o dinheiro?


Sabemos, a partir de estudos científicos sobre a aprendizagem, que o indivíduo adulto tem mais dificuldade de absorver novos conceitos e criar novos hábitos. Em sua mente, ao longo do tempo e através das diversas experiências vividas, muitos conceitos foram formados e se cristalizaram como crenças e essas crenças norteiam suas ações.


05/03/2020 - Edson Pires

Leia -> O sucesso deixa pistas


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